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jpt

publicado às 11:09

60 dias de facebooking

por jpt, em 18.06.11

Nunca gostei do sempre-repetido mandamento bloguístico "escreve sobre o que sabes. Link to the rest". Sempre me irritou o prescritivo sobre esta irresponsável actividade, na qual para mim cada-um-como-cada-qual. Os limites do saber próprio (quando este existe) estão no trabalho,  e isto do in-blog é para botar sobre o que vem à respectiva cabeça.

 

Para além disso o weblog é um diário, de impressões, e estas são (ou podem ser) múltiplas, esparsas - um tipo que só se interessa sobre o que sabe, caramba, é um chato. Claro que há os blogs especializados (dedicados), alguns fantásticos. Mas isso é uma saudável opção, não uma obrigação.

 

Mas o mandamento de "link to the rest" está estafado no bloguismo acima de tudo por razões tecnológicas. Com a vertigem imediatista do facebook, aquilo do clic-clic e ligação feita perdeu-se muito da dimensão inter-ligadora (e textual, reflexiva) do bloguismo. Aliás, os sistemas (blogspot, wordpress) terão que integrar essa função supra-ligadora. Ou desaparecem.

 

Como blogar neste contexto? Não sei bem, nem sei se isto tem muito futuro (há anos que se diz que o bloguismo è finito), ainda por cima com a "lentidão" ligadora que tem. Mas, pelo menos, é um sítio e um meio onde se pode escrever ... sobre o que não se sabe. Suprema liberdade potenciada pelo facebook, para onde podemos ir "linkar" coisas, fast-fast, clic-clic, com tanta vantagem ...

 

Uso o FB fundamentalmente como difusor de ma-schamba (a página blog ma-schamba, o grupo ma-schamba [modalidade que perdeu visibilidade nos murais devido às alterações do sistema FB] e o ma-schamba na aplicação NetworkedBlogs). Ainda assim acumulam-se as ligações, seja por réplicas imediatas de outros murais seja provenientes de outros suportes (blogs também). Como exemplo do supra-linkismo facebookista  actual, até vertiginoso, (mas também para meu arquivo, e esperando que alguém se divirta abaixol) deixo os meus dois últimos meses de facebooking, as aventuras nessa likeland reino do clic-clic.

 

A ordem da colocação aqui é inversa da cronológica ...

 

 

64. O (necessário, urgente) elogio da Culinária Moçambicana

 

 

63. Documentário de Werner Herzog sobre pinturas rupestres

 

 

62. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

61. Assange, o wikilikeakista: o facebook é máquina de espionagem! Estes romanos são loucos!

 

60. Constante reprise

 

59. Pérolas do youtube ...

 

58. Um número especial da Science et Vie dedicado ao acidente nuclear de Fukushima (via Klepsýdra)

 

57. Pérolas do youtube ...

56. O Byrne de oiro.

 55. The Clash "Should I Stay or Should I Go?": sem embebimento disponível ... É clicar e ouvir/ver ... 

 

54. Gorongosa. Fauna, Flora e Paisagens, um belíssimo trabalho fotográfico disponibilizado no facebook.

 

53. 30 Postais sobre Moçambique (elo retirado). Vale a pena lavar a vista.

 

52. José Sócrates: "seis anos de batota". Que herança ... A arquivar, para não o esquecer.

 

51. O "vai vir charters" do Paulo Futre. Uma bela peça de marketing mas, muito mais do que tudo, uma lição de rir-se de si próprio. Viva Futre! (o meu candidato ...)

 

50. O excelente Nkwichi Lodge no Lago Niassa, um verdadeiro eco-lodge e com gente porreira à frente, foi escolhido como um dos 101 melhores hotéis mundiais [Já lá estivemos e sobre isso botei, deslumbrado].

 

49. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

48. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

47. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

46. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

45. Directório de blogs expatriados. Aqui a secção Moçambique.

 

44. Um ascensão fulgurante, dançarinos moçambicanos integram o último trabalho de Beyoncé.

 

43. João Pereira Coutinho, no fim de José Sócrates, o pior dos políticos portugueses, com o tique máximo da anti-democracia: "um político que prefere negar a realidade e confunde uma crítica ao governo com uma crítica ao país". Que nunca mais volte, é um desígnio nacional, apesar das suas ameaças "em andar por aí".

 

 

42. O excelente sítio Buala a trabalhar sobre Ruy Duarte de Carvalho.

 

41. O Da Casa Amarela a comemorar o aniversário de Dylan

 

40. A AL é uma emérita coleccionadora de cartoons e tem um mural FB fantástico nisso.

 

39. No 70º aniversário de Dylan, ele sobre Elis Regina

 

38. Forever Mickey

 

37. Água Vumba premiada, a minha bebida moçambicana preferida. (Sim, apesar de militante da dupla 2M - Manica)

 

36. A propósito da crise, versão pop-pirosa ...

 

35. 3XMiles

 

34. The Guardian a olhar para a imprensa moçambicana e seu impacto social. O elogio do jornal "Verdade", o popular primeiro gratuito, que tanto modificou a paisagem mediática aqui. E que é líder na imprensa informática, com o vigor que coloca - celebrizando-se na cobertura dos acontecimentos de 1 e 2 de Setembro de 2010.

 

33. Dexter, via MVF - que tem um refinado mural FB. E talvez por isso tão pouco aqui culime ...

 

32. Mitos industriais perversos, via A Arte da Fuga, um bom pontapé no guevarismo e, mais globalmente, no acriticismo.

 

31. Um céu limpo global, fruto de um projecto fotográfico de grande monta.

 

30. Uma nova supernova. A página da National Geographic dá-nos maravilhas diárias ...

 

 

29. Naipaul por Naipaul - agora aflorando a "escrita feminina". Um elefante em loja de femininismos ...;

 

28. Aquando das eleições portuguesas uma reflexão sobre as aldrabices das sondagens políticas portuguesas. Já nas últimas eleições isso se discutiu no bloguismo - o peso simbólico (académico, como se científico, e mediático-televisivo) dos sondageiros, alimentado pela idolatria da numerologia continua a permitir a subsistência e sobrevivência gente. Urge o ostracismo moral. Para todos ..

 

27. No país da Dirty Dilma: também ler um Que fazer?;

 

26. Sobre os telemóveis. Cancerígenos ou não?, via De Rerum Natura. Questão de "estação estúpida"? Ou bem pior do que isso? E que efeitos nos fanáticos twitteristas?

 

25. Chegou o icloud da Apple, e deve mudar bastante as coisas - como por exemplo nunca mais perder os ficheiros por corrupção dos "discos-afinal-moles".

 

24. Notícia da publicação do Caderno de campo na Guiné-Bissau (1947) de Orlando Ribeiro. Para a agenda de compras quando em Portugal ...

 

23. Lou Reed Forever

 

22. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

21. Bela galeria fotográfica de arte moderna

 

20. Kare Lisboa, na Lx Factory: gente família a lutar bem com a crise. E nós de longe a torcermos pelo sucesso, bem-merecido.

 

19. Lembrei-me da gentil guitarra do Beatle. (um Beatle nunca é ex).

 

18. Bjork, Venus as a Boy: lembrei-me do vulcão islandesa, mas sem direito a partilha (a função "embeber" foi retirada do youtube para este filme). É clicar para ouvir/ver ..

 

17. Tomai lá com o Bach, em Lisboa disse uma velha-amiga

 

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Flying in a motorized paraglider over one of the most diverse continents in the world, George Steinmetz captures in his photographs the stunning beauty, potential and hope of Africa's landscapes and people. See the project at http://mediastorm.com/publication/african-air

16. África em vista aérea, uma galeria sumptuosa a mostrar o  trabalho de George Steinmetz, "fotógrafo americano que percorreu e fotografou as paisagens africanas ao longo de 30 anos. Sobretudo do ar, a bordo de um parapente motorizado":

 

 

15. Uma dupla de Siouxie, a última das moicanas ...

 

14. Lago Niassa declarado reserva natural pelo governo de Moçambique, uma boa notícia enquanto há rumores de que empresas se preparam para acelerar a exploração dos "recursos" minerais existentes.

 

13. Ads of the World: conhecer o inimigo. Para melhor o combater.

 

12. Canal de Moçambique, o mais belo título dos jornais moçambicanos, a abrir a sua página no facebook;

 

11. Imperdível, textos sobre Arte Contemporânea africana;

10. Eu lembrei o Tony de Matos e logo uma amiga-FB completou ...

 

9. O Grande Tony de Matos - que eu sempre recordo a actuar no Coliseu dos Recreios em meados dos anos 1980s, então sala-nobre de Lisboa e como tal vedada aos cantores populares. Foi "special guest star" de Vitorino e levantou o público à ... entrada. Um sucesso, uma reparação. 25 anos depois honra ao Vitorino que provocou o momento ...

 

 8. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

7. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"..

 

6. Uma série apaixonante, a ir ver: Closer To The Truth

 

5. Uma sumptuosa série sobre filósofos, disponível no youtube, ao qual chego via Crítica. Blog de Filosofia;

 

4. Vasco Palmeirim - um delicioso humorista dos novos tempos em Portugal que venho conhecendo via youtube ...

 

3. O silêncio dos livros, um belo blog mostrando leituras.

2. Retirado o título [o grau de doutorada] a deputada europeia [alemã] Silvana Koch-Mehrin que plagiou - informa o Diário de Notícias exactamente no dia em que deixei o resmungo sobre o posfácio dos plágios (e lembrando outro meu lamento mais dorido);

1. Stellarium, um fantástico programa informático que nos põe o planetário em casa (como qualquer miúdo da minha geração teria sonhado).

 

jpt

publicado às 13:10

Revista Ler

por jpt, em 04.02.09

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Chegada de Lisboa, por mão querida, a revista Ler. A qual infelizmente não se encontra à venda em Maputo. E justificar-se-ia, nem sequer é excessivamente cara e com toda a certeza que haverá pelo menos uma dúzia de compradores.

Neste número um bom conjunto sobre Agustina Bessa Luís (está na capa, claro), vários textos interessantes de gente dos blogs (FNV, do Mar Salgado, José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel, Eduardo Pitta, do Da Literatura, Rui Bebiano, Pedro Mexia, etc - e nestes tempos de transbloguismo isso ajudará(ia) a promover a tal mão-cheia de revistas a vender).

Ainda uma interessante entrevista a Naipaul - ali muita tensão, o entrevistador a resmungar com a presença da mulher do escritor (interessante, no mesmo número tanto se gaba a presença do marido de Agustina ao longo da sua obra), a denunciar o cansaço geronte de Naipaul e este, sibilino, a antecipar-se-lhe "Mas aquilo que não devemos fazer agora é pôr-me a repetir aquilo que já disse. Você tem acesso a essas entrevistas em que eu falei do assunto" (32). Pena é que estando Naipaul ali também a promover a tradução portuguesa de Magic Seeds (ou pelo menos a entrevista assim o conduz), a continuação de Half a Life, nem uma palavra sobre o processo de construção de Willie Chadran (o protagonista de ambos os livros) em Moçambique.

Um belo número. Apenas dois narizes torcidos à ideologia: uma "crítica" a um livro de António Vitorino de Almeida totalmente terrorista - um pretenso humor a la independente, onde se acusa o facto de um tipo de direita e um tipo de esquerda escreverem no mesmo livro. Sorrisinho balofo nas teclas, mas é de uma inintelectualidade intolerante indigna de uma revista que junta letras. E uma recensão de um livro americano sobre Osama Bin Laden - que o autor do livro reduza Bin Laden a um psicopata é uma tese psicologista bem frágil, a la carte. Agora que quem o recenseia lhe compre a tese, francamente ...

publicado às 10:22

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Edição da revista "Granta" de 1997 comemorativa do quinquagésimo aniversário da independência da Índia. Um normal mas vincado cunho britânico, não só pelo peso dos textos sobre a vida colonial ou sobre a ruptura que o seu fim causou (o poema de Ondaatje "What we Lost" é uma suma; o texto de Tully "My father´s raj" sobre a cosmovisão colonial, o texto de Knightley "An Accidental Spy" sobre a perenidade da relação em termos biográficos). Mas é britânica também no enfoque tido com a questão de Cachemira, ou seja a separação dos estados pós-independência por razões religiosas e os conflitos que disromperam a unidade política indiana ou, melhor dizendo, do Raj colonial (o texto de Buchan ou de Mehta.

Independentemente da origem dos autores é interessante notar este enfoque sobre a divisão Paquistão-Índia, deixando entrever a ideia de uma desordem gerada no fim do colonialismo. E também, por textos ou depoiamentos populares, notar as opiniões que desvalorizam a importância da independência - seja porque diminuta face aos conflitos religiosos que originou, sej aporque não foi apercebida pelas massa, como o ecoam alguns indivíduos em declarações recolhidas (em particular uma tocante autobiografia de uma intocável iletrada).

Doze anos depois tem ainda o interesse de ver a homenagem a Naipaul (transcrição de manuscritos e de páginas de A Wounded Civilization), antes do seu sacralizador Nobel. E de notar que entre os vários consagrados escritores que foram incluídos (Narayan, Ved Mehta, Nirad Chauduri) surgiam pré-publicações muito atentas, de escritoras então desconhecidas e que viram a obter rápido reconhecimento: Arundhati Roy e Anita Desai.

O tom do livro fica no soneto de Vikram Seth, "Sampati": "Why do you cry?" "I flew too high. Undone, all see me fall". São as dores de ser país, mas acima de tudo mostra as dores de ser ex-colono

publicado às 21:07

...

por jpt, em 27.08.05
"All that my freedom has brought me is the knowledge that I have a face and have a body, that I must feed this body and clothe this body for a certain number of years. Then it will be over."

[V. S. Naipaul, "One out of many", In a Free State, Picador, 2002, 53]

publicado às 20:32

Fetiche

por jpt, em 08.03.05

"And when he brought the book and revealed the quotation on the printed page, Leela fell silent in pure wonder. For however much she complained and however much she reviled him, she never ceased to marvel at this husband of hers who read pages of print, chapters of print, why, whole big books; this husband who, awake in bed at nights, spoke, as though it were nothing, of one day writing a book of his own and having it printed!"

[V.S. Naipaul, The Mystic Masseur]

publicado às 12:06

Corrupção

por jpt, em 08.03.05

"In Trinidad it isn't polite to look down on a man because you know he handles public funds unwisely. As soon as he is exposed the poor man becomes ridiculous enough, a subject for calypso."

[V.S. Naipaul, The Mystic Masseur]

publicado às 12:00

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por jpt, em 04.03.05

"The whole world knows about Lin-Piao. He gave us the idea of liquidating the class enemy. It was simple and exciting in the beginning and it seemed the way ahead. In India we also liked it because it came from China and we thought it put us right up there with the Chinese. In fact it destroyed the revolution. The Lin-Piao line turned the revolution into middle-class theatre. Young middle-class exhibitionists in the towns putting on peasant clothes and staining their skin with walnut juice and going out to join the gangs and thinking that revolution meant killing policemen. The police had no trouble in wiping them out. People in that kind of movement always underestimate the police, I don't know why. I suppose it's because they think a little too highly of themselves."

[V. S. Naipaul, Magic Seeds]

publicado às 09:22

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por jpt, em 09.02.05

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Este "The Mystic Masseur", de V.S. Naipaul (1957) é absolutamente imperdível. Corrosivo até mais não sobre Trinidad. Mas esta narrativa do percurso de Ganesh Ramsumair até G. Ramsay Muir, percurso todo ele constituído da total e angustiada cobiça (e nesta angústia reside muita da grandeza do livro). E é por esta cobiça angustiada que brotam a manipulação (até pueril) do teológico-espiritual, a comercialização do político, e toda a mescla conjuntural desses ingredientes, tudo sobre um vazio para além da mera estrategização, tão mera que nem é como tal sentida. E assim sendo, retirando o livro daquela Trinidad, tornando-o universal. E sem tons de denúncia. Apenas, um enorme apenas claro, uma ironia devastadora. Devastando, claro, o papel do intelectual. Desse que se reclama sábio.Não é aqui que se justifica um verdadeiro Nobel, mas também é a sua primeira obra. E, se necessária, essa justificação está no "A Bend in the River". Mas este livro é uma verdadeira delícia. Perdoai-me pois a arrogância do conselho.

publicado às 23:00


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