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Fui mais vezes ao Porto neste 2015 do que no meu anterior meio século, isto apesar de filho de portuense. Coisa de por lá ter coadjuvado uma disciplina num mestrado. Foi maneira de voltar ao meu pai, claro. Mas também de aprender a cidade, de saber amar o Porto, uma tarefa que apenas iniciei que ainda me faltará algum caminho. Fui sempre muito bem recebido, "terra de boa gente" julgo ter ouvido dizer que assim lhe chamam.

 

Um desses dias colega cicerone levou-me à obrigatória Ribeira e depois fez-me escalar uma enorme escadaria, tortuosa, bela. E bem íngreme para este fumador. Ao cimo dessas "escadas do Barredo", usufruindo a vista perguntei se aquilo era costume, se levavam todos os visitantes e a mole turista por aquele morro acima. Que "não", disse-me, que também não subia aquilo há décadas. Ri-me num "fui praxado". E continuámos a calcorrear a cidade, ainda que eu assim passado a trôpego. Nisso encontrei loja de "souvenirs" para turistas, aquelas das camisolas do Cristiano Ronaldo e dos Galos de Barcelos. Entrei e, para riso espantado da minha companhia, perguntei se tinham t-shirts com o obrigatório dístico "Eu subi as escadas do Barredo". A vendedora, dona de sotaque e tudo, nunca ouvira falar, nem de tal t-shirt nem da própria escadaria. Sorri-me, nisso até anunciando uma veterania, vera minha condição de portuense, mulato portuense-transmontano a bem dizer ...

 

Passado algum tempo a cicerone manda-me esta t-shirt, de sua autoria (desenho e estampagem). Um exemplar único que aqui mostro todo ufano. A sonhá-la o meu contributo, bem menor, para a cidade. E também minha reclamação da condição portuense.

publicado às 17:39

Que dizer?

por jpt, em 02.06.15

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Uma mui querida amiga, lá no Porto (como é óbvio), envia-me esta fotografia. Que dizer?, a cada um a sua elaboração, especulação, extrapolação  .... Não, não sacralizo um pano. Sim, prefiro um país onde um tipo (um skipper, termo contemporâneo que substituiu os arcaicos arrais ou comandante) deixa isto ao vento sem ser preso.

 

Mas, raisparta, e sem metáforas ou metonímias (a cada um a sua, já o disse), não podiam multar quem deixa isto assim? No mastro, na janela, na antena, seja lá onde seja. Afinal é símbolo ...

publicado às 09:57

Lisboa é maningue nice?

por jpt, em 01.06.15

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Como referi antes visitei Lisboa recentemente, mostrando alguns lugares mais simbólicos ou típicos à minha filha. Junto ao castelo, como mostro aqui, e por todo o lado se encontra este esterco visual, sempre permitido - e até acarinhado - pelas autoridades populistas que gerem a cidade. 

 

Esta desinteria colectiva, que faz feder a cidade, é também acarinhada nos meios intelectuais. Por um lado os fiéis da igreja "inscricionista", popularizada na década passada por um best-seller de José Gil - os portugueses têm medo de inscrever, disse, e então tocou a borrar ... E por outro lado, muito devido à complexidade da trama conceptual dedicada ao fenómeno artístico, entre quem não consegue entender a diferença entre expressão artística, expressão e mera flatulência. Há ainda quem pense que o direito fundamental da liberdade de expressão consiste na possibilidade de garatujar tudo o que (não) mexe ... Há ainda os que se dedicam a reflectir sobre a ínfima minoria destes miasmas, produzidos por sectores estudantis dos organismos partidários, chamando-lhes fenómenos espontâneos e atribuindo-lhe, por isso mesmo, relevância sociológica. É uma aldrabice, claro, mas quando debruada com galões académicos é muito bem aceite.

 

Na prática esta permissividade corresponde ao exercício mais reaccionário da sociedade urbana portuguesa actual. Pois é a  promoção da ideia da infantilização do cidadão locutor - que "fale" ele (se exprima) por onamatopeias visuais ou, vá lá, com grunhidos algo compostos. E também da selvajaria dos núcleos impossidentes, que vivam eles neste mato visual, desprovido de regras. Ficando o resto, o "limpo e ordenado", para a nata deste creme.

 

Entretanto os intelectuais jornaleiros "reflectem" e aplaudem.

 

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publicado às 12:41

Lisboa é maningue nice

por jpt, em 28.05.15

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Fotografias de cpt - há alguns dias fomos ao Castelo - e há quantas décadas eu não lá ia -, turistas em terra própria, ela a conhecer a sua cidade em que nunca viveu, a enchermo-nos desta Lisboa, ela a apaixonar-se, eu a pacificar-me com o país ...

 

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publicado às 02:27

Após-colonial

por jpt, em 01.05.15

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Estou com a minha filha, também ela saudosa - mas irá esquecer quase tudo, coisa da idade. Passeamos em Lisboa. De súbito isto. Paramos e olhamos. "Vamos entrar?" desafio, "vamos" responde, afoita. Nada mais do que uma mercearia grande, coisa de há décadas nesta era de xópingues. Ficamos à porta, olhando o armazém. Avança a dona, macaísta como se dizia, simpática, num convite a que entrássemos. Desculpo-me num lucky strike azul o que aqui fumo e vou dizendo que viemos ao nome ... Sorri, pergunta-nos o óbvio "se somos de lá", e depois "se a menina conhece o Bilene", esse que ela não vê desde 1975, e um breve etc ...

 

Souberam-me bem os cigarros dali. "Que faço eu aqui", repetirei depois, como se rimbaudiano, ...

publicado às 23:10

Pedra-e-zinco

por jpt, em 01.05.15

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Ou bloco-e-zinco, se se preferir ... Ontem, no Porto, andando na rua, travo aqui e por isto sonho um outro 2016.

 

publicado às 23:03

Gastronomia: os porras de XXI

por jpt, em 30.03.15

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Sim, lá na África do Sul a gente patrícia somos conhecidos pelos "porras", tamanha a profusão de sonoros porras que nos saem da boca, tamanha que até aos bantófonos e anglófonos chama a atenção.

 

Mas haveria necessidade de recuperar o velho (e semanticamente mutante) termo para inundar a capital com a tradução literal das farturas espanholas? O piadismo javardo, a la humoristas "anunciados na tv", nada mais.

 

publicado às 16:12

Gastronomia neo-liberal

por jpt, em 30.03.15

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Numa capital Lisboa, rendida ao neo-liberalismo de vulgata, abundam os crentes da chamada Lx Factory (Fábrica lisboeta, em português arcaico), um espaço "cultural" (comercial, em português arcaico) muito em voga, ali à zona do Calvário. Deixo episódio exemplificativo do ambiente ali reinante. Cerca de 125% mais cara do que uma boa refeição no centro do Porto [ver postal anterior] em restaurante muito mais apessoado, eis o menu (cardápio, em português arcaico) de uma tasca pós-moderna e pós-alfacinha: 1600 escudos por um 

 

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miséravel prego no prato, acompanhado por ... batatas fritas de pacote.

 

Urge ocupar o Palácio de Inverno ...., enviar esta "esquerda cultural" para uma qualquer Sibéria. Genocidá-la, por assim dizer.

 

 

publicado às 16:01

Gastronomia maçónica

por jpt, em 30.03.15

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De súbito, no Porto, a gastronomia maçónica ... um pouco a fazer-me lembrar de Maputo, aquele daqueles antigos edifícios.

 

Vamos ao que interessa, umas petingas seniores nada menosprezáveis. E preços dignos de verdadeiros defensores da equidade. Ou seja, nada maçónicos.

 

publicado às 15:54

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Ali para além da Ericeira, "então, minha senhora, e como se chama este bolo?", sigo eu curioso. "Croquete de ovo", ouço, estupefacto. E ainda me surpreendia com a verve belga ...

publicado às 23:10

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A campanha eleitoral da Renamo em Portugal (ou será a portuguese connection?)

 

publicado às 00:58

Diário de Lisboa (1)

por jpt, em 11.10.14

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??? ("está a dizer o quê?!....", diz o recém-chegado  [refugiado] de Bruxelas)

 

publicado às 00:57

Turista na própria cidade

por jpt, em 19.09.14

 

 

Um velho amigo levou-me ontem a jantar. Apanhou-me no Chiado, à Brasileira, como se queirozianos fossemos. Passeou-me ali ao velho governo civil, toda a área finalmente a requalificar-se e a transformar-se, anunciou-me a extensão do Museu de Arte Contemporânea e da Faculdade de Belas Artes (e a criação de um sui generis Museu da Polícia), a emergência de novo hotel, enquanto ia notando eu algumas lojas, restaurantes e outros edifícios renovados. Depois descemos, vagorosamente, a rua do Alecrim, já há atrasado rearranjada, em direcção ao Cais do Sodré. Por lá me fez visita guiada, a velha rua da marinharia e respectivo putedo agora renovada. Conhecera eu há anos a dita "Pensão do Amor" que entretanto foi rodeada de restaurantes e alguns bares/discotecas - alguns antigos, o Tokyo e o Jamaica ainda lá estão, ainda que àquela hora fechados. O Shangri-Lá já não, nem o Helsínquia, dos que recordo, hoje virados para outros nichos da agora dita "restauração". O velho Texas-Bar mudado de nome, e transformado em local agitado, longas filas à porta aquando, mais tarde, regressámos à rua. Tudo com ar arranjado. Jantei muito, mas mesmo muito bem - uns aparentemente simplérrimos carapauzinhos fritos com açorda de coentros que estavam "de estalo" como os antepassados gabavam - num restaurante clássico da rua Nova do Carvalho, o "Rio Grande".

 

Depois, apesar do frio, já quase gélido, cruzámos até ao vero Cais do Sodré e fui espreitar o que desconhecia, disse-me ele que uma instituição europeia ligada às coisas marítimas, a dita Praça Europa, "que o Durão Barroso conseguiu arrancar para aqui". Se assim foi louve-se o homem, está muito bem conseguida. E depois fomos calcorreando a Ribeira das Naus até ao Terreiro do Paço, finalmente quase pronta - os lisboetas nem recordarão o facto, mas eu lembro-me de ter imigrado em 1997 e de que aquela zona da Baixa já estava em obras e desde então sempre o esteve, apenas saltitando os estaleiros. Já quase não está, apenas uns tapumes ainda. A pressa não foi grande mas as coisas ficaram muito bem, diz este olhar destreinado, belíssimo e a devolver a cidade ao rio e vice-versa. Chegados à eterna Praça do Comércio vagorosamente a atravessámos, atentando nos laivos de Sé e até do Castelo. E, acima de tudo, na praça desocupada, ou melhor ocupada por si mesma, que é como deve ser, apenas debruada da esplanadas e, lá ao fundo, muito agitada discoteca. Depois a bela da Rua Augusta, com o arco bem polido, e ela própria com prédios a amaneirarem-se ainda que não totalmente impoluta. Virámos à esquerda, ascendemos e depois ascensionámos até ao Chiado.

 

Grande passeio, numa belíssima cidade. A gente enfronha-se na resmunguice e até se desapercebe disso.

publicado às 09:01

Ao mercado de Campo de Ourique

por jpt, em 17.09.14

 

 

Já ali tinha ido em Janeiro passado, e bem resmungara. Mas ontem fui jantar com um amigo a Campo de Ourique. Desejando-me frugal e nada gastador. Fomos ao Stop, a minha antiga cantina no bairro, coisa de morador da Ferreira Durão: fechado. Inflectimos para diante do cinema Europa, onde há restaurante ("Europa"?), onde se comia um bom peixe: fechado. Fomos avançando e cruzámos o mercado, "não gostaste nada disso" diz-me o João, que pelos vistos ainda passará pelo blog, "fartaste-te de dizer mal". Que não fosse por isso, "(m')bora lá" jorgejesuo eu. Entrámos, defrontando uma esplanada cheia, uma amálgama pequeno-burguesa, requebro que bem noto, agora que estabelecido nos Olivais, hoje em dia desvalido gueto de xunga canora, afinal falido que foi o "melting pot" sociológico intentado por Salazar.

 

Ao meu conviva surgiu-lhe o afã de uns camarões. A mim, vindo de onde venho, não se me urgem tais bichos. E, para resolver tudo ali ao mesmo balcão, segui com um prego. Lá fomos a um outro buscar umas cervejas e depois, espeleologicamente, desencantámos uma mesita, aguardando o repasto. Enquanto isso regressei à demanda de cervejas e, coisa de ainda emigrante, fui falando com quem delas me serve, a saber das modas. Que ali se bebe pouco cerveja, soube, pede-se mais sangria, o que me surpreende, e "agora" bebe-se gin. "O gin está na moda, não é?" já soube eu, sempre desencantado com a empáfia lisboeta, "mas sangria, bebe-se disso porquê?". E logo lhe é óbvio o sarcasmo, "É que aqui é um sítio gourmet" aflautando a voz, e nisso se rindo o colega do lado. Também eu me ri, assim de tudo avisado, julguei. 

 

Voltei à mesa para ser chamado, que fôssemos buscar as nossas refeições, os tais repastos gourmet. Busquei-as, solícito: num prato um pauzito com camarõeszitos. No meu um prego à petit-bourgeois, desses com hífen e tudo. Coisa de cerca de 80 gramas. Acompanhado de batata frita ... de pacote.

 

Ri-me, com tamanho despautério. Lá trinquei aquilo. À nossa volta o mercado de Campo de Ourique, o tal recanto "gourmet", continuou cheio. São assim as mansas gentes da gasta pátria.

publicado às 06:36

Postal etnográfico

por jpt, em 16.09.14

 

 

 

Ontem fui ao Porto (uma espécie de Nampula cá em Portugal). E para acompanhar a chamussa encontrada escolhi uma cerveja que desconhecia, esta "Sovina" (uma espécie de "Impala" cá em Portugal).

 

O mundo complexifica-se (mas é sempre uma espécie cá em ...)

publicado às 09:23


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