Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



X

por jpt, em 15.08.15

solcapa.jpg

 

Hoje mesmo, sábado, cruzarei o Tejo na via do sul, buscando este "O Sol da Caparica", festival musical. Coisas de ser pai, em função de acompanhamento (escolta, se se quiser), a aproveitar, sôfrego, estes últimos tempos enquanto a mariposa não voa para o definitivamente longínquo. Tremo, um pouco, com o que acontecerá, com o que me acontecerá, pois o último festival de Verão a que fui foi a Festa de Avante, ali pelos 1982-3, talvez mas só talvez um ou outro ano depois, aqueles tempos em que aquilo conjugava gerações, a gente aterrava ali a beber durante três dias (e a fumar que se fartava, vá lá, que também era verdade), a "camaradar" toda a gente e os mais velhos dali, os camaradas mesmo, aqueles voluntários dos pavilhões regionais a rirem-se dos nossos "camarada" e nisso a serem camaradas, no servirem ajudarem às cervejas e comes, para nos manterem em pé, e mesmo assim nós por vezes a desconseguirmos ... Nisso a gente, em tempos tão diversos, via pavilhões do mundo inteiro (o comunista, claro) e do resto do país, nestes com os petiscos locais, jogava-se xadrez com os macro-grandes mestres soviéticos e ouviam-se inúmeros músicos de todos os lados, desde os desconhecidos, e alguns que músicos!!!, e os Dexys Midnight Runners (que concertão), aquele Chico Buarque (no apogeu!!, ainda que trémulo por questões lá dele, biográficas), o Manu Dibango (Manu Dibango em Lisboa naquele tempo?), o rock celta então em voga, proto-etnomusic, o Ivan Lins provavelmente no melhor concerto da sua carreira (com a belíssima mulher de então, uma loura Lucinha a alumiar Lisboa), Jorge Pardo, o fantástico "corno" de Paco de Lucia, num pavilhão menor numa actuação inesquecível da qual nada recordo, Makeba sem eu saber quem era Makeba, o gigante Luis Gonzaga diante de uma audiência que não o sabia ouvir, Charlie Haden a enfrentar um público estupefacto e também Max Roach, e tantos outros, ali todos os anos polvilhados pelo discurso quase final do camarada secretário-geral, o grande Cunhal. Foi mesmo isso que me acabou ali, no cruzar a chegada aos 20, a azia, enorme, de ver que nenhum Godinho ou Vitorino, sempre cagões - e ainda hoje - com a puta da liberdade na boca, como se dela fossem arautos, dedicava alguma canção, pequena que fosse, àquele Sakharov então sob custódia, e das duras, que o Ary dos Santos, poeta histriónico gritador de poemas diante de milhares, nunca lembrava os homossexuais perseguidos (e bem fodidos) nos países lá deles. Um dia, sei lá quando, mas depois dos The Clash no Dramático de Cascais, irritei-me mesmo com a merda do público a cantar o hino nacional (sim, o bacoco "às armas") de punho direito erguido e, foda-se, nunca mais lá fui. Os gajos, mesmo aquela turba simpática, o povo d'aquém e além-Tejo, eram, e mesmo sem o saberem, pobre gente alienada (como dissera o tal Marx), o inimigo. Vil. Segui para outros concertos, mas nunca festivais.

 

Volto agora à turba, decerto que para um canto do olho (e quão apaixonado!) na filha, outro no palco. E vou triste, pois sigo, reparo hoje, desarvorado, nem uma t-shirt dos Xutos tenho, e é dia deles. Irei assim quase nu. E comportando-me, que sei ser vedada à paternidade os excessos naturais diante do obrigatório, do obrigatório apenas para mim, os "meus", talvez coisa de geração. Irei pois como se pai mas já hoje preparo os antebraços para o mítico, cultual, "X", que se o punho nunca ergui aos antebraços ainda o farei, cultuando esses que ouvi quando tocavam com uns tais de "minas e armadilhas", que terei feito no mítico 31 de Julho no Rock Rendez-Vous, a gravação de um "live" que nunca existiu, há mais de 30 anos, isso porque véspera do "1 de Agosto", dia de "sacola às costas, cantante na mão", e que fiz, ali quase-só, que só o grande Hernâni me acompanhava naquele mar de gente espantada, em Maputo em 1999 e nunca mais, pois que nunca mais os vi. Vou, cultuar, agora pai mas amanhã filho, homem, para gritar "Contra tudo lutas. Contra tudo falhas. Todas as tuas explosões. Redundam em silêncio", o verso da música portuguesa .... E quem o segue, ao verso, ao resto, ao destino, é "quem já nada teme".

 

Porque, afinal, a tal liberdade é isto, se calhar só isto, o amarfanhado jogo dos riffs. E da desesperança, mesmo que mitigada .., isso do "a vida é sempre a perder" mesmo sabendo que nenhum de nós é "um caso isolado", nem o "único a olhar o céu", porque "quando as nuvens partirem ... vais(vamos) ver o sol brilhará" ...

 

XXXX

 

publicado às 03:30

Politeismo (94)

por jpt, em 16.10.13

publicado às 15:11

publicado às 19:02

Homem do ano: na CPLP

por jpt, em 27.12.12

 

 

Dr. Dias Loureiro, empreendedor, praticante da CPLP.

 

 

 

jpt

publicado às 03:43

 

Um amigo, o único tipo no mundo que um dia me meteu em karaokices (ainda que em regime "grupo coral"), acaba de me pedir (e a outros) uma lista das canções portuguesas "assim dos 80s/90s" que me tenham sido marcantes (e ainda sejam, acho), um projecto dele. E-mail respondido de rajada e fico-me a pensar "ora aqui está um bom post, ainda para mais na era do "partilhar" facebookiano". Segue o impulso. E, como concordámos na troca final de e-mails, "um tipo podia continuar ..."

 

Lamento uma ausência, não encontro traço do Herman José a cantar "Tirem-me da garagem". Algum gentil leitor me poderá ajudar?

 

"sacola às costas, cantante na mão"

"hoje soube-me a nada ..."

 

 

e os amigos da (minha) rua, claro

 

jpt

publicado às 17:15

Xutos para crianças

por jpt, em 18.01.10

Ao medrar-me em casa uma criança completamente fan da Hannah Montana, uma verdadeira proto-groupie dos Jonas Brothers, apercebi-me, até um pouco pesaroso, de algo que me tinha escapado. Isso de que se em tempos o rock foi expressão de um movimento de juventude já pela minha geração foi coisa de adolescentes. E que essa infantilização foi continuando, de público-alvo em público-alvo: que uma criança de cinco anos me diga, Jonas Brothers na TV, "isto é rock, pai" e eu "pois é!" e que ela continue, até surpresa, "tu conheces rock!?" significa muito mais do que a passagem das gerações, é mesmo o eco da indústria de entretenimento a esticar a corda ao limite. Que virá a seguir, Brown Sugar em versão bebé? A infantilização do rock pouco significará musicalmente, muito daquilo sempre foi meia-bola-e-força, mas que dizer da sua expressão quando a adesão e o êxtase são propostas aos quasi-toddlers?

Veio-me isto a propósito desta prenda natalícia que a minha filha recebeu. O "As Melhores Canções Para Crescer", as letras das canções dos Xutos e Pontapés com ilustrações de Miguel Gabriel (Oficina do Livro, 2009). Simpático?, aparentemente pois lá estão as canções, muitas quase hinos, que acompanharam a geração dos pais agora transportadas para os seus rebentos, assim crescendo imbuídos de algo que animou, formou os pais, deles até foi símbolo. Mas esse transporte, aparente, é uma falácia - verdadeiramente o que se passa é o "rapar o tacho" do produto. O que os Xutos trouxeram, ou melhor transportaram, foi um espírito rock, uma postura, uma rebeldia desencantada. Ao infantilizar isto, por mais sorrisos que acolham, negam-no. Radicalmente.

E nisso descruzo os braços ao alto, cai-se-me o "X". Ou julgariam que

este simpático desenhito que acompanha o celebrado "Homem do Leme" justifica que me ponha a contar, a cantar e a explicar à princesa que

"E mais que uma onda, mais que uma maréTentaram prendê-lo, impor-lhe uma féMas vogando à vontade, rompendo a saudadeVai quem já nada teme, vai o homem do lemeE uma vontade de rirNasce no fundo do serE uma vontade de irCorrer o mundo e partirA vida é sempre a perderNo fundo horizonteSoprar um murmúrio, para onde vai?No fundo do tempoFoge o futuro, é tarde demais"

Ou trautear-lhe, enquanto adormece, o grande "Remar, Remar", esse do eterno "Contra tudo lutas / Contra tudo falhas / Todas as tuas explosões / Redundam em silêncio".

Afinal era para isto?jpt

publicado às 23:26

Já há 10 anos. Então a gigantesca onda de desvairo lisboeta - um desvairo que se queria estratégico, ainda para mais -, mal-educado e desonesto, iletrado e inculto, socialista e nepotista (coisas todas que agora afinal blogo-elogiadas como "lendas vivas", que não há limite para desvergonha dos blogo-intelectuais "orgânicos"), esse desvairo todo junto, e por caminhos oblíquos pois "deus escreve X por linhas tortas", trouxe os Xutos a Maputo. Lembro, lembrarei, o meu acabrunho radical de então ("como é isto possível?" face à filhadaputice feita norma, feita futura "lenda viva" - que um tipo aos 30 anos, que um tipo aos 45 anos, ainda não acredita que não haja limites para o esterco humano). E lembro como o tal acabrunhado jpt o deixou de estar: num grande jantar no mercado do peixe, a Isabel R. organizadora, com o Vitorino a cozinhar uma bela de uma massada de peixe, o jpt a oferecer os bebes e os comes, o Sérgio Godinho a conversar como um senhor (interessado) que é, os X a serem banda rock on the road, o pessoal em massa à mesa, e a Princesa de Pemba a oferecer uma fantástica festa em sua casa, ali à Malhangalene. E no dia seguinte, muito me lembro, post-acabrunhado, de estar na FACIM a ver os X - estava lá o meu chefe fantástico, inesquecível que é, (e o seu filho). Fugindo eu para a segunda fila, de pé face ao palco, ali ao lado do inconfundível Hernâni, nós os únicos de X bem ao alto - "vi-te lá na frente", haveria de dizer o Kalu no "atrásdopalco" onde o desvairo já nem estava, que "fino" sempre acha ser, só os "X".

Já há dez anos, tão já, mas também tão depois do "1 de Agosto de 1984" no "rock rendez-vous" e tantas outras vezes. Já há dez anos mas ainda então, já então, a aprender que "Todas as tuas explosões redundam em silêncio".

X.X.X. !!!

(jpt)

publicado às 02:39

Comendadores Xutos

por jpt, em 09.06.04
Acho muito porreiro que os Xutos tenham comendas da Ordem de Mérito.
Acho é que lhas deviam entregar no 1º de Agosto.
E, ainda que as visitas habituais já o saibam, o telhado desta machamba está concluído. Quando me fartar deixo-a assim. E vou para norte.

publicado às 13:35


Bloguistas




Tags

Todos os Assuntos