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Vou Votar José Sócrates

por jpt, em 28.10.10

 

Quando em meados dos anos 1990s regressei a Portugal após uma breve ausência encontrei-o assim: Estava o país cansado de Cavaco. Da crispação em tons de arrogância, da encenação do a-político (...). Cansado do fontismo (a velha questão entre circulação e produção, coisa não só de historiadores). Cansado da imbecilidade do “petróleo verde”. E muito cansado dos duartes limas e nuno delerues (cujo original foi recuperado por Menezes, é preciso não esquecer o lixo recente a que desceu aquele partido). Convém, se calhar, repetir: estava-se cansado da arrogância anti-democrática dos poderes políticos (quantas vezes disfarçada da salazarenta encenação dos políticos anti-política); estava-se cansado do nepotismo óbvio e do intrincar, não-tão-esconso-assim, entre política e economia; estava-se cansado de um modelo de desenvolvimento económico que parecia sem destino, a não ser o desbaratar dos "fundos estruturais" (a ajuda pública ao desenvolvimento, como todos os da indústria própria o sabem mas não dizem). Por isso mesmo encontrei um país absolutamente farto de Aníbal Cavaco Silva [e a cantar em coro o execrável Pedro Abrunhosa, o nojento pimba-burguês que então fez sucesso aproveitando a onda política], perdendo-se de amores por António Guterres. Pouco depois Cavaco Silva candidatou-se à presidência e perdeu. Dez anos depois concorreu e ganhou, folgado. O país apaziguara-se com ele, decantara-lhe as qualidades, esquecera os defeitos - pessoais e ideológicos, em ambos os vectores.

 

Agora, quinze anos depois da ruptura entre o eleitorado e Cavaco Silva e cinco anos depois da reconciliação, e por mais críticas que se lhe possam fazer, surge como o político de referência. O socratismo aparenta o seu final, ainda resiliente à realidade, maldoso e, sempre, enganador - é-lhe essência essa desonestidade, que aspergiu todos os seus colaboradores, próximos ou distantes. E convém não nos esquecermos, rapidamente, quem são os homens de Sócrates. Pois não são boa gente. De Portugal chegam, finalmente, finalmente, ecos de uma população farta de Sócrates, dos seus homens, dos seus manueis pinhos e marios linos, das suas drens, da sua incapacidade, do seu autoritarismo, da sua profunda desonestidade. Política. Do estado a que chegaram economia e sociedade em Portugal. Secundariamente, do estado a que chegaram as finanças públicas - que são sempre um epifenómeno, apesar dos políticos e os mídia nelas se centrarem.

 

A sensação é que nos caiu o céu em cima da cabeça. Que é necessário uma inflexão. Custosa e radical.

 

O meu pesadelo?

 

Daqui a quinze anos estarei a escrever num neo-blog a louvar as qualidades de  José Sócrates. Então o único político de referência. Que estaremos fartos dos que então nos governarão, uns incompetentes, uns afiliados ao nepotismo, ... E a precisar de alguém como ele.

 

jpt

publicado às 22:55


11 comentários

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De jpt a 29.10.2010 às 00:29

Nunca acreditei em sebastianismos. Mas no panorama português há um político que poderia ter um papel relevante, e digo isto assente na experiência anterior. Trata-se de Rui Rio. Digam o que disserem o homem resistiu ao Pinto da Costa. Com um historial destes, um arcaboiço tamanho, é com toda a certeza capaz de dobrar os demoníacos mercados internacionais, amansar as crises, domar os inimigos pátrios. Se o Pinto da Costa deixar, claro.

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